segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Basta apenas ser...

Continuemos a leitura do Livro de Ester no capítulo 2.

1. Quando, pouco depois, a cólera do rei se acalmou, pensou em Vasti, no que ela tinha feito e na decisão que tomara a respeito dela.
2. Então as pessoas do séquito do rei disseram:
3. Que se procurem para o rei donzelas virgens, belas de aspecto; que o rei envie pessoas a todas as províncias de seu reino, para reunir todas as jovens virgens de belo aspecto e trazê-las a Susa, sua capital, ao harém, sob a vigilância de Hegai, eunuco do rei e encarregado das mulheres, que providenciará às necessidades de seu toucador.
4. A jovem que souber agradar ao rei se tornará rainha em lugar de Vasti. Isso agradou ao rei que seguiu esse conselho.
5. Ora, havia em Susa, a capital, um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, da tribo de Benjamim,
6. que tinha sido trazido de Jerusalém entre os cativos deportados com Jeconias, rei de Judá, por Nabucodonosor, rei de Babilônia.
7. Era o tutor de Edissa - isto é, Ester, - filha de seu tio, órfã de pai e mãe. A moça era de belo porte e agradável de aspecto; na morte de seus pais, Mardoqueu a tinha adotado por filha.
8. Logo que foi publicado o edito do rei, numerosas jovens foram reunidas em Susa, a capital, sob a guarda de Hegai. Ester também foi levada ao palácio e posta sob a guarda de Hegai, o encarregado das mulheres.
9. A jovem lhe agradou e ganhou suas graças; tanto que ele se apressou a lhe proporcionar ungüentos e perfumes para seu toucador e adorno. Deu-lhe sete companheiras, escolhidas na casa do rei, reservando a elas o melhor apartamento do gineceu.
10. Ester não tinha revelado sua raça nem sua família, porque Mardoqueu lhe tinha proibido falar disso.
11. Cada dia ele passeava diante do pátio do gineceu para ter notícias de Ester e saber o que lhe acontecia.
12. Toda jovem começava por sujeitar-se, durante doze meses, à lei das mulheres. Nesse período se purificavam seis meses com óleo de mirra, e seis meses com cosméticos e outros bálsamos em uso entre as mulheres.
13. Depois disso, quando chegava a vez de cada uma entrar junto ao rei, podia, ao passar do gineceu ao palácio, tomar consigo tudo o que queria.
14. Admitida à tarde, se retirava pela manhã a um outro palácio das mulheres, sob a guarda de Chaasgaz, o eunuco do rei posto à frente das concubinas. E não voltava mais junto ao rei, se ele não tivesse manifestado o desejo, chamando-a expressamente.
15. Chegou a vez de Ester entrar junto ao rei. A filha de Abigail (tio desse Mardoqueu que a tinha adotado por filha), não pediu nada além do que lhe foi dado por Hegai, eunuco do rei, encarregado das mulheres. Mas ela ganhava as boas graças de todos os que a viam.
16. Foi levada junto ao rei Assuero, a seu palácio. Era o décimo mês (mês de Tebet), do ano sétimo do seu reinado.
17. O rei amou-a mais que todas as outras mulheres; e ganhou ela as graças e o favor real mais que todas as demais jovens. Tanto que o rei colocou sobre sua cabeça o diadema real e a fez rainha em lugar de Vasti.
18. O rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e a seus servos em honra de Ester; concedeu um dia de descanso a seus Estados e fez benefícios verdadeiramente reais.

Dois fatos me chamam a atenção neste trecho: o primeiro trata-se de um rei que sabe ouvir conselhos. Um rei que reconhece que não sabe tudo. Um rei que solicita ajuda. Se um rei agiu assim, quanto mais eu, que não sou rei. Saber ouvir é uma grande virtude. Porque quando se sabe ouvir, também se sabe obedecer. E quem obedece, encontra com a virtude da obediência e colhe bons frutos. Tenho vivido um tempo de aconselhar-me com alguns sacerdotes e isso tem feito um bem enorme para mim. Percebo que há certas situações que não vejo bem e , quando partilho, eles me mostram uma visão nova e suavizam o peso que coloco em muitas situações. Destas experiências, tenho saboreado o valor do aconselhamento. Verdadeiramente, como Assuero, também reconheço o valor de um bom conselho. E louvo a Deus por não ter parado nos meus medos de partilhar minha vida e poder contar com estes sacerdotes que o Senhor pôs no meu caminho. Outro ponto que se destacou foi o fato da escolha de Ester. Alguém pode me dizer o que ela fez para ser escolhida? Isso mesmo. Ela não fez nada. Cada vez mais, Deus me mostra que suas escolhas não se baseiam no fazer e sim no ser. Ester era e isso bastava. Ela, inclusive, faz questão de não levar nada para os aposentos do Rei além do que já havia sido dado a ela. Percebo que este é o caminho: eu não preciso fazer nada para ter alguém, além de ser aquilo que eu sou. O que atraí alguém é a sua essência e não seus atos. Os atos servem apenas para externizar o que há dentro. Quem é, não precisa forçar nada. Simplesmente, o é e tudo acontece naturalmente. Eu agora entendo , Senhor, que eu não preciso fazer mais nada, mais nada... Demorou para eu entender, mas eu, enfim, compreendi.


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