sábado, 27 de julho de 2013

Dário de um peregrino: Terceiro dia


Comecei o dia com a Santa Missa e depois tive uma audiência com o Senhor. Você deve estar pensando o que é esta audiência. Eu também estranhei quando ouvi pela primeira vez. Mas, é um momento de oração entre você e o Santíssimo. Você é convidado a ficar sozinho com Jesus eucarístico e ali dizer tudo o que há em seu coração: trazer toda a verdade, sem medo, esvaziando seu coração. É uma experiência incrível, pois como em uma audiência, colocamo-nos diante do Juiz e apresentamos os fatos. Ali, rezei e depositei diante de Jesus sacramentado toda minha vida. Mostrei minhas fraquezas, meus anseios, tudo o que vivi nestes 18 meses e ao longo da minha vida. Não sei quanto tempo fiquei diante de Jesus, mas posso dizer que estar na sua presença e rezar sob tudo o que já vivi, fez um grande bem ao meu coração. 
A Casa de Maria tem esta mística: ser uma casa de oração. À tarde, dei uma pequena lida em um livro que falava sobre um beato e sua devoção a São José. E a noite, recebi o convite de ir com os discípulos para Aparecida e passar a noite por lá, na fila, para ver o Papa dentro do Santuário. Deus cuida de tudo mesmo. Até agora, não precisei gastar com nada: para onde preciso ir, há sempre alguém a me ajudar. Louvado seja Deus pelos corações generosos que tenho encontrado nestes dias de peregrinação.

Chegamos em Aparecida por volta das 21h. E já haviam muitos peregrinos na fila. A noite estava fria e havia uma garoa, que durou a madrugada inteira. Vivi uma experiência de cuidado das pessoas a minha volta. Um me deu um cachecol, outro me emprestou uma toquinha para proteger minha cabeça do frio. Alguém me emprestou uma mantinha para não passar frio também. Nós nos abraçamos e sentamos na calçada. Interessante: foi a madrugada mais fria do ano - 5 graus - mas, eu não senti nada. E olha que tenho rinite. Quando estamos em comunidade, não nos falta nada mesmo.


Passaram 12 horas e não dormi. Mas, não estava cansada. A presença das pessoas a minha volta foi reconfortante. Entramos no Santuário às 9h. A missa começaria às 10h30. Ali, comecei a agradecer tudo o que já havia experimentado, ao longo desta viagem, e também pelo motivo que me trouxe a Aparecida: cumprir a promessa que havia feito se passasse em um concurso público. Trouxe todas as pessoas que me pediram orações. Mas, acima de tudo, havia no meu coração gratidão. 

Quando o Papa apareceu, desabei a chorar. A presença do Papa Francisco é algo comovente. Verdadeiramente, ele é um homem de Deus. Mesmo que não dissesse nada, seu olhar e seus gestos já dizem por si. Foi, sem dúvida, uma das melhores experiências da minha vida. No fim da missa, eu me perdi dos jovens com quem fui para Aparecida. E então, precisei ir até a Rodoviária a pé. Não murmurei. Depois de tantas bênçãos, o que é andar um pouco? E , adivinhem quem eu encontro pelo caminho? Papa Francisco passa em frente a rodoviária. Deus é surpreendente, não é? Voltei para casa da Gilmara e do Fábio com o coração agradecido e muito feliz.

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